" Aprenda a gostar de você, a cuidar de você e,
principalmente, a gostar de quem também gosta de
você...” Mário Quintana
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A sem palavra



Tem os “sem teto”, os “sem carro”, os “sem sentimentos”, os “sem vontade”, os “sem noção”, os “sem ética” e hoje eu me encontro no bloco das “sem palavra”.
Sábado, enquanto eu estudava astrologia ficava dispersa pensando o que eu iria postar domingo no blog.
- Ah! – pensei – posso escrever a única palavra que não postei, textura.
Mas não me deu vontade. Já faz tanto tempo! Ninguém iria notar. Se é que alguém nota alguma coisa nesse blog.
Só o anônimo iria postar: que falta de imaginação. Da próxima vez seja mais criativa.

Toca o telefone, era Margot.

Dá oi e começa a falar por 20 minutos consecutivos da última festa e da mais recente pegação.
Eram 22 horas e ele, a pessoa com quem ela havia se pegado até as 6 horas a manhã, ainda não tinha ligado.
Depois de tanto tempo ao telefone, mais de quinze minutos,eu ouvindo, com detalhes sórdidos, o quão gostoso era seu no affair, fiquei inexplicavelmente cansada:

- Margot querida, vou dormir. Bateu um cansaço estranho. Fique calma ele vai ligar.
Mas se não ligar, ligue para ele.

- Dormir!!!!!!! Mas são 10 horas. Num Sábado a noite?! É mesmo!? Tem certeza?

- Ora, não amola. Estou cansada.

- Tá sem progama ?

Pensei rapidamente: além de sem palavra, sou uma sem programa..

- Programa? O que é programa? De Televisão? Detesto televisão. Eu tinha combinado de
sair com a Mari, mas subitamente decidi ficar em casa.

Rapidamente decidi mentir. Como uma sem palavra seria também uma sem programa.

Nisso toca o meu celular.

Cris, você vai ser a minha salvação – Era minha mãe que me perguntava como pegar uma rua específica na Barra, pois tava indo , com meu pai, a uma festa bombada ao som de uma banda cubana.

Ai além de Margot que me argüía sobre o que eu estava fazendo com o meu sábado, eu agora me perguntava: por que meus pais se divertem mais do que eu num sábado a noite?

Peço um tempo a Margot, explico como pegar a rua e volto a minha ligação com a "ficante" mais carente do Rio de Janeiro.

- Você não prestou atenção em nada do que disse. Não Vou ligar nada. Agora vou sair
com a Chevriet.Ela me convidou par ir a uma festa com ela.

- Podemos falar então em outra hora?

- Mas a festa é hoje a noite e quero que você vá.

- Por que?

- Porque pode ter gatos interessantes.

- Não querida, fica para outra vez. Vou dormir. Minha caminha me chama, divirta-se,
beijo.

- Só mais uma coisa: vamos viajar no feriado em homenagem ao Zulu?

- Zumbi Margot! Bem que o Zulu merecia essa homenagem. Mas é Zumbi, viu minha
lindinha. Vemos isso depois.

- Então você vai dormir mesmo? Tem certeza? Um beijo sua desanimada.

- Beijo

Desligo o telefone com a sensação de além de ser uma “sem palavra”, “sem programa”, “sem convite” (Chevriet não me convidou), sou uma “sem ânimo”.

2 comentários:

Cris disse...

Obrigada pela lembrança...estou com saudade de te convidar rsssss, quando vamos??? Vc vai rir muuiito, espero, das minhas últimas aventuras...gostei do texto mas a Margot tá numa errada hein??? Beijos...põe essa figura no trilho!!!

Anônimo disse...

Toma aquele papel,que deixará de ser "sem tudo",tá?
E na verdade,"sem noção"é a tal Mari que lhe convida pra muiiiitos, e mesmo assim, vc se acha "sem convite".
E Chevriet,se der,me convida tb pra saber das suas aventuras,que me ponho a imaginar....
Acho que esse blog funciona melhor "Sem palavra".
Parabéns pelo texto!!!