SOS: Sociedade Ovípara Secreta

Os fundamentos desta sociedade, a qual teve início nos primórdios da civilização Ocidental, encontram-se no matriarcado, no culto ao amor e ao feminino. Vida, célula, núcleo, liberdade. Tudo isso faz parte de um conceito onde o ovo, símbolo absoluto, se destaca pela simplicidade e perfeição. Assim, a escolha desta sigla não foi aleatória, o nome se tornou um código entre os participantes, código este que pode ser identificado no nosso cotidiano, nas tarefas banais, em uma breve conversa na fila do banco.

A quem me lê – percebendo esta explicação pouco lúdica, qualquer coisa burguesa, quase enfadonha – posso garantir se tratar de uma filosofia maior, que nada tem de tacanha. O fato é que me faltam palavras - ainda estou engatinhando na arte de ser ovíparo, e ser ovíparo é não precisar de palavras. Sim, sou apenas uma iniciada e muito tenho a aprender. Qualquer pessoa pode participar deste grupo, independente de sexo, raça, religião, pois não se trata de feminino ou masculino, e não há grandes teorias a se explicar, é muito mais um modo de ser.

Começo, pouco a pouco - a experimentar – sentir a oviparidade. Ainda estou neste degrau. Quando penso no ovíparo que me tornarei, é claro me lembro das aves, do ovo, penso nas galinhas com aquela desenvoltura simplória, trabalhadeira, algo alienada, poedeira e histérica. Beleza despercebida. Então, a convicção nesta filosofia se torna maior, tendo em vista a comprovação que mesmo ali, no alvoroço do galinheiro, o mundo está completo e harmônico. Estou eu aqui, a divagar, mas feliz posso dizer que a divagação é um exercício extremamente ovíparo. O extremo é ovíparo! – e pode ser complexo compreender - já que a sutileza também é a uma jóia ovípara. Chegarei lá...

De uma ponta à outra, retomo o fio desta meada, no que diz respeito aos primórdios da SOS. Relata a história não oficial - baseada em transcrições secretíssimas de documentos raros – que na Grécia Antiga vários pensadores e filósofos eram membros desta sociedade. Um deles, em especial, foi Ovídio, o grande poeta, rebelde e apaixonado. A ele toda SOS rende homenagem, e entre os mais ortodoxos, é visto como um mártir.

Ovídio foi o mestre dos mestres, e não foi o acaso. Representou a linhagem da beleza, da humanidade, deu ao mundo o modo de ser ovíparo. Fez seguidores como Shakespeare e todos aqueles poetas que não fazem apenas literatura - saltam, vão além - vivem a métrica sem retalhos e, acima de tudo, a sonoridade, a música perfeita que faz a poesia que não está nos versos, guarda a poesia que está na vida.

10 comentários:

Anônimo disse...

Adorei o tratado ovíparo, golpe de mestre, parece até aqueles meninos do Z.É qdu começam a improvisar.
bj e até sexta aqui no encontro de Ovíparas.

Anônimo disse...

chris,
adorei seu texto, ler o que vc escreve é um exercicio para
minha inteligência, me acrescenta,
me enriquece,me envaidece poder ler
vc.Não suporto leituras que nada acrescentam como se me emburrecesse,
conhece essa palavra? nem eu men o
aurelio sic..sic..
...beijos, vana

Anônimo disse...

Adorei!! Criatividade deliciosamente grande...Tão grande como deve ser a percepção, da sutileza inteligente contida nesse texto,pelo Autor de sugestão desse tema.Tomara que ele use alguma tecla,nem que seja a SAP.
Vc,novamente não só não decepcionou,como se supera uma vez mais.
Bjs grandes

nagual1985 disse...

a do ovidio foi mt boa

Anônimo disse...

Achei que você fosse se perder naquele começo, mas o final está perfeito, poético, muito bem escrito! Parabéns, acho que Ovídio ficaria orgulhoso!

nagual1985 disse...

ah, esqueci de falar que nao gostei muito pq tem mta enchecao de linguica!

bjo

cris braga disse...

Querida, só consegui ler hoje pois estou sem internet.A Net ficou de consertar e me entregar hoje.
Demais! Adorei a Sociedade Ovípera Secreta.
beijocas,

cris braga disse...

Esqueci de dizer:estou no trabalho.beijos

cris braga disse...
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cris braga disse...
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