
E a palavra é....
Em recente congresso, onde se reuniu a nata da filologia e da lingüística internacionais, o Brasil nos honrou com uma inédita vitória. Não se tratava de uma competição, no entanto, colocou-se aos participantes, eméritos doutores das letras mundiais, uma questão com a qual deveriam trabalhar, sugerir caminhos, baseando-se em pesquisas, e em seus vastos conhecimentos interdiciplinares. Um estudo, vamos dizer assim, não-ortodoxo, com pitadas de alternativo, inovador. Os juízes seriam rígidos!!! O trabalho que demonstrasse as inúmeras possibilidades do uso de determinada palavra“em todos os níveis possíveis” fossem eles no âmbito material, intelectual, emocional, espiritual, freudiano, cotidiano etc, etc, idem, idem...Qual seria a palavra, dos tantos idiomas, a mais perfeita?
Eis que entre as dezenas de participantes de todas as partes do mundo o vencedor foi um jovem cientista brasileiro.
E a palavra é: sequidispal, sesquidipal, digo, sequispedal, digo, sés-qui-pe-dal...bem...o fato é que a perfeição daquela versatilidade lingüística transformou o noviço em mestre. Aquele que, de súbito, em um lampejo ingênuo descobrira “a palavra” foi levado à deliciosa posição de ícone. Sua descoberta calou o mundo. “A palavra” de qualquer maneira composta, - silabicamente aleatória - significado verdadeiro teria . Todos possíveis. Todos exatos.!!! Era pura magia. O jovem professor de tal modo confirmou a beleza desta tese que ao final foi ovacionado pelos outros participantes boquiabertos, os quais reconheciam que somente ao gênio pertenceria a simplicidade, a banalidade do óbvio.
Nosso brasileirinho ralo, coberto por seu guarda-pó amarelado, provou o quanto somos polivalentes, principalmente, na arte das palavras. Trouxe à luz da norma culta todos os não-significados possíveis e todos os significados impossíveis para a língua materna. “ A palavra” é perfeita não pelo o que representa, e sim pelo que há de híbrido em sua natureza e, embora fosse muito correto dizer –Sesquipedal – fica a pergunta: Dizer para quê? Se a mais pura malemolência na sua capacidade de não ter sentido algum é que nos fez campeões.
Nosso prodigioso garoto provou que o som, a composição métrica, a vibração do vernáculo, lhe confere o poder dos significados. Então, providencialmente, em situações limite, quando nada mais vem à cabeça, resta somente o silêncio, a intransponível lacuna - quando estamos rentes ao vexame – e, nervosamente, na falta de coisa melhor para dizer - é esta palavra perfeita, este coringa será o nosso esteio e salvação. Fosse dita, certa ou errada, sílaba trocada, tudo serve, tudo pela oralidade e utilidade no momento bem colocado.
Sesquipedal está este texto, por ora me despeço, e após ter comunicado as boas novas a respeito deste feito heróico e brasileiro, cabe somente revelar que entre os severos juízes encontrava-se o famoso e renomado, provedor de palavras, o excentrico cientista espanhol Raphael Fernandez. Dizem que ele, homem de muitas letras, e com o auxílio do nosso jovem paulistinha, da boa terra de Joaquim Egydio, irá finalmente conseguir completar seus estudos sobre Palavras Estranhas em Busca da Oralidade Mais Que Perfeita. Isto porque a perfeição para ele é apenas o começo...
4 comentários:
que coisa mais sesquicentenária e pedaleira essa palavra que no site LETROCA jamais seria matada...n
CARACA, FOI DEMAIS! BJS
Hoje é o dia da Cris, que dia mais feliz!!!
O poder dessa palavra está onde permite dar asas à criatividade desse texto, sarcastica e deliciosamente, bem escrito.
Parabéns!
Adorei,mais uma vez!!
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