
Sempre quis escrever uma história sobre um mendigo,
uma dessas histórias que não termina com moral.
Uma dessas que conta: Paulo, filho de Marcia Maria e de Geraldo, viveu treze anos sendo criado como menino mimado. Falava alto. Não queria saber de ser responsável.
Até que um dia Sr. Geraldo faleceu, uma daquelas mortes que não se merece, e o menino sentiu um enorme aperto, uma dor daquelas que ninguém nunca esquece. Dona Marcia Maria, senhora sua mãe, passou a viver de promessa e prece. Veio um sinal de Deus, ‘leve sua a vida, senhora, junto a Geraldo Bezerra’. E ela, sem saber onde a vida a metera, perde a fé e obedece.
Morre Dona Marcia Maria e o menino está só. Não tinha família, nem pai, mãe, avó.
Não sabia pronde ia. Não entendia o que era estar nesse lugar onde ninguém quer ficar, sozinho no mundo e sem ninguém pra cuidar. Sem dinheiro, sem teto, sem ninguém para amar.
O menino virou homem, criou barba e cresceu. Continuou na rua, procurou ajuda. Tentou a sorte no jogo, mas o azar era seu. Tentou fugir pra São Paulo, mas logo se arrependeu.
Passaram-se anos, cinco ou seis, o menino mendigo conseguiu trabalhar. Arrumou um emprego, cortou o cabelo. Virou vigia de igreja, ali na porta de Deus. E conseguiu assim ficar perto dos pais, perto dos santos e dos anjos mortais. Com vigilância divina, procurou alguma paz…
e o menino mendigo, que virou homem na rua, desistiu da vida e morreu.
2 comentários:
Achei esse, junto com o do palhaco, o que mais me parece um texto com o seu estilo mesmo. Nao eh a toa que sao os que eu mais gosto!!!!! Te amo muitttttoooo, gabinikova!
Bjao
Ga
Amei, Gabsi! Adoro essa sua poesia em forma de prosa... Está muito bom mesmo o texto, o tema, o todo!
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