
A sua discreta presença
(Para minha filha Clarice - Maio 1994)
Preciso de um verbo, tradução de sua presença.
E para o seu estar inopinado me acalmam somente revelações proféticas.
Meu corpo gravita, meu corpo é um planeta. Está cheio e lunar o meu corpo satélite. Habita-me o invisível, o cosmo, uma nova galáxia dentro de um corpo primal.
Lacrimejam meus olhos porque precisam de um telescópio, os olhos meus, para ver o que trago em mim como um céu, o céu que me cobre a cabeça, a terra que me apoia os pés e o mar, o mar, meu céu terrestre, a confundir meus horizontes. E para enxergar a você, meu astro celeste, preciso de um telescópio – e de toda a incrível ciência - preciso de um verbo que o denomine.
Perdoa, desde já, esta minha primitiva rudeza, perdoa. Na verdade, sou alguém que pensa, que pensa que sou, e deseja amar compreendendo.
Tento não explicar você, meu corpo celeste, tento não colocá-lo em minha gramática, em minha esquisita ciência. Ama-lo-ei incompreensível e natural como a haste verde surgindo no lodo, na terra seca, numa cratera.
Viva em mim, minha nebulosa, e sem permissão vingue em mim, mais sábia do que tudo existente e - maior - em sua luz que o mundo meu não alcança.
4 comentários:
Seu astro celeste é sagitáriana de lua, regencia jupiteriana,exacerbando a força e determinação que lhe é conferida. Nessa explosão um toque pisciano de compreensção, emoção e sensibilidade.
MARAVILHA DE TEXTO!!!!
bjs
Ai, ai como eu queria uma sogra assim...
...é...rsssssss
Representando um dos raros comentários não mafiosos nesse blog,eu vou dizer o que penso deste texto:
Algo importante de ser visto,por mais que eu(ou qualquer homem) consiga sentir variados tipos de amor,esse nunca vai ser possível.
Obrigado por tentar explicar pelo menos um pouco de como funciona o tal do amor de mãe,o mais simples e mais bonito possível,algo a ser copiado e espalhado pelo mundo.
Um Salve a todas as coisas que não passam!!!
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