Tudo o que vejo

Meus olhos são corredeiras a precipitar incessantes por pedras e desvios.
Construí barragens, represa tola, e criei desenhos nas lágrimas que choro.
Meu coração é um twister vivendo em terras arenosas [há tanta areia em meus olhos...]

E ele me traz junto ao tormento onde ouso ferir-me até o findo choro.
Meus olhos são janelas que na transparência deitam-se sobre a paisagem.
Minha aquarela se desmancha e estremeço quando de encontro ao vidro explode o temporal.

Por vários dias as cores se tornam trêmulas e esquisitas como mulheres nervosas.
Tudo em volta, de uma forma suave e triste escorre em meus olhos, no vidro da janela,
e tudo está igual de um modo diferente.

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