
Uma Mulher
Solitariamente guardo secreta, inconfessável impressão da vida.
Provedora de meu ânimo volta e meia preguiçoso, agitadora de meu ânimo volta e meia taciturno.
Um inconfessável alimento mastigo com dentes demorados e, em meu mastigar pausado, saboreio sem fazer barulho, minha sigilosa impressão da vida.
E o contentamento ninguém nota, pessoa nenhuma se apercebe de meus lábios que se deleitam, da minha língua que desfruta, e se esquadrinha, em sabores egoístas.
E como pode essa gente viver sem conhecer-te? Pôde perceber a vida quem não experimentou a rubrica doce, a rubrica doce que tu deixas, nos mais finos lábios, nos ressequidos lábios, que um dia te sentiram?
Protejo a ti, secreta impressão minha, dos simplórios olhos do gentio, dessa gente que não vê como descansas na rosada pele dos lábios que escondo.
Mas quem se dá conta? Desconfia alguém dos prudentes olhos meus, estrábicos e distraídos, quase castanhos, a se rirem de tal fingimento, fingimento de protegê-la?
Um comentário:
cris adorei!!! gostei da sua sensibilidade de impressão da vida.
beijoss.
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