
Ensaio. Chuva. Poesia.
A chuva desperta a poesia
A água caindo do céu é linda
Chuva fina como purpurina
Chuva grossa que empossa
Encharca a nossa cidade
Os carros espirram água
As pessoas molham as calças
É a pública calamidade
O trânsito pára
Os carros batem
As casas alagam
Os guarda-chuvas quebram
As pessoas se molham
As pessoas se beijam
Chove, chove, chove
A terra já está bem de água
Mas o céu quer ainda despejá-la
A chuva não pára
A chuva não intervala
Sinto-me esvaindo como a água que corre
Vou-me transformando neste momento encharcado
Vou sendo como a chuva
Apenas sendo, e escrevendo
Gotas caem na terra molhada
Palavras caem no papel em branco
Gotas brilham nas folhas verdes
Letras significam nas folhas brancas
O céu vai de encontro à terra
A idéia vai de encontro à matéria
Agora não me interessa sociologia
Nem semiologia e etimologia
Só me interessa a magia
Da antropofagia de um calor humano
Que me aqueça nesse dia chuvoso
8 comentários:
Mari, já bebi a chuva e as palavras...
Lindas construções de imagens... Sensível e delicada. Linda!
Mari, adorei seu poema para esses dias de chuva...bjs
Afinal, é este o blog da Calrinha hehe?
Me situem, pelo amor de Deus.
Mas o poema é bonito. Deu um calorzinho bom no peito...
Beijos.
Adorei!!!! beijos de boas vindas...
Mari e sua sensibilidade linda!
Muito bom, Mari.
Lindo mesmo.
A beleza veio da delicadeza, coisa rara nestes dias de sol e chuva...
Lindas palavras!
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