Ensaio. Chuva. Poesia.

A chuva desperta a poesia
A água caindo do céu é linda

Chuva fina como purpurina
Chuva grossa que empossa

Encharca a nossa cidade
Os carros espirram água

As pessoas molham as calças
É a pública calamidade

O trânsito pára
Os carros batem

As casas alagam
Os guarda-chuvas quebram

As pessoas se molham
As pessoas se beijam

Chove, chove, chove

A terra já está bem de água
Mas o céu quer ainda despejá-la

A chuva não pára
A chuva não intervala

Sinto-me esvaindo como a água que corre
Vou-me transformando neste momento encharcado

Vou sendo como a chuva
Apenas sendo, e escrevendo

Gotas caem na terra molhada
Palavras caem no papel em branco

Gotas brilham nas folhas verdes
Letras significam nas folhas brancas

O céu vai de encontro à terra
A idéia vai de encontro à matéria

Agora não me interessa sociologia
Nem semiologia e etimologia

Só me interessa a magia
Da antropofagia de um calor humano
Que me aqueça nesse dia chuvoso

8 comentários:

Cris disse...

Mari, já bebi a chuva e as palavras...

Anônimo disse...

Lindas construções de imagens... Sensível e delicada. Linda!

Clara Deák disse...

Mari, adorei seu poema para esses dias de chuva...bjs

Anônimo disse...

Afinal, é este o blog da Calrinha hehe?

Me situem, pelo amor de Deus.

Mas o poema é bonito. Deu um calorzinho bom no peito...

Beijos.

cris braga disse...

Adorei!!!! beijos de boas vindas...

Andrè Dale disse...

Mari e sua sensibilidade linda!

George Sauma disse...

Muito bom, Mari.
Lindo mesmo.

Simone Botto disse...

A beleza veio da delicadeza, coisa rara nestes dias de sol e chuva...
Lindas palavras!