Euforia – Estado emocional de excitação plena.

Eu quero euforia sim, porque não?
Meio da madrugada de uma noite quente de dezembro, saímos todos da nossa confraternização anual, não...nada careta, pelo contrário, como sempre descontraída e singular. Saímos todos leves, querendo mais, prolongar as horas felizes, a dança coletiva, as gargalhadas, os olhares com intenções veladas, o encontro dos personagens que habitam em nós, reprimidos pela rotina das horas... mas que por algumas horas, após a segunda dose, se libertaram e dançaram numa verdadeira comunhão, como se fosse a última das horas... só que depois de cinco horas...haja hora extra, a casa precisa acender suas luzes, esvaziar camarim, retirar buffett...totalmente na contramão de toda aquela emoção, afinal de contas éramos 700 criaturas.

Como disse, saímos querendo mais, esticar ao máximo toda aquela euforia que invadiu cada um de nós, formaram-se vários grupos, cada um buscou seu rumo, sua sina, o meu se agrupou rapidamente, todos suados e radiantes...e aí? Vamos pra onde? Qual é a boa? Trocamos olhares e concordamos rapidamente, e num piscar de olhos, paramos todos na “Casa da Atriz”, o nome não condiz com o ambiente, totalmente underground, meio escuro, com vários níveis, para quase todos os gostos e intenções - calma ! Vamos devagar - pra dançar, namorar, bater-papo, beber com os amigos...enfim...estava eu lá, louca pra curtir até a ultima gota daquela alegria que chegou e ficou, afinal de contas ano terminando, vontade de sacudir a poeira e abrir espaço pro novo, no fundo no fundo, vontade de ser abduzida por um ser de outro ou desse planeta mesmo, e viver tudo que não tinha vivido naquele ano... fechei os olhos e comecei a curtir o som, soltei o corpo, esvaziei a mente, nossa...como dançar é bom, dançar com gosto de “esticada”, rodeada por amigos, colegas e conhecidos...todos querendo a mesma coisa, cada um com seu jeitinho, sensação boa, deveríamos todos tê-la no mínimo uma vez por semana, foi quando de repente, um colega que vira e mexe esbarra comigo no trabalho me olha meio assim... digamos com olhar de peixe morto, pensei: ih que situação...não deu outra, chegou pertinho de mim, quase me fungando e disse: quero te beijar...isso é péssimo quando rola com quem não rola a menor chance...aí que situação...e eu querendo ser abduzida...foi quando olhei pro meu lado direito e lá estava ele, sim... meu velho, bom e querido amigo, aquele que você ama de paixão, que é companhia boa, garantida pra qualquer night ou day...então...cheguei perto e falei: me salva...me tira daqui rápido...assim ele o fez, pegou na minha mão e saiu andandodançando, juntinho mesmo, de fininho, discretamente subimos para o segundo andar da casa, onde rolava outro som, bom também, aliás quase todos os sons são bons quando nos esperam para a santa saideira...
Pronto. Lá ficamos, nós dois e tantos outros, curtindo a madrugada ao som do Eric Clapton...e euzinha aparentemente salva de um bote não desejado, foi quando deu um click, um estalo, êpa... olhei para ele e ele também me olhou, não falamos nada, absolutamente nada, não foi preciso, apenas nos olhamos, aquele olhar que atravessa e nos enxerga, meio sem querer mas doido por querer nos revelar, foi quando ele veio na minha direção e me beijou, neste exato momento, tudo parou, rodopiamos... a música desligou, a luz apagou, a sala esvaziou, éramos somente eu e ele, numa entrega profunda, nos achamos num beijo molhado, cuidado, apertado, com um tesão absurdo, como se não coubéssemos naquela sala, naquela casa, nooossa...quase transbordando lá estava ela, a senhora euforia chegando e tomando conta de todo o meu ser, sim finalmente ela me achou depois de tanto me procurar, depois de tanto andar...ela não me visitava há muito, e veio acompanhada, de mãos dadas, com o prazer, majestoso, e com o tesão, vigoroso...pra me sacudir e mostrar que a vida tá aí, pra ser vivida, por quem se arrisca, por quem pede mais, por quem não se cansa, por quem se permite...por quem pisca duas vezes pra ver se está enxergando bem, nossa que coisa boa...eu e ele nos abduzimos...nos rendemos espantados, velhos conhecidos que acabaram de se descobrir...trocamos toques, passeamos pela pele, milímetros de prazer, promessas de paixão, sentimos a nossa respiração, um desejo louco de avançar, apertamos nossos corpos e sentimos o encontro que estava ali há muito tempo, nas entrelinhas, esperando a sua vez, o seu momento de entrar em cena...quem diria...vai entender...saímos dali de mãos dadas por alguns instantes, rua dormindo, manhã chegando, nos separamos sem falar quase nada mas sentindo tudo, eu com a absoluta certeza de que um dia daria muito para aquele homem.

2 comentários:

Cris disse...

Amiga, a crônica da vida é essa, de onde menos se espera...adorei sua estréia, para quem tem tangonamente, a euforia foi um mero detalhe...beijos e parabéns!!!

Anônimo disse...

UAU!!!!!beijos