
Vou ser bem sincera (às vezes faz bem, mas é preciso usar com moderação)...
Não é porque estou de TPM, é justamente o inverso. Ela acabou. Pela primeira vez na vida acho triste. Ontem por exemplo estava inspiradíssima, numa euforia incrível e chorei várias vezes compulsivamente sem saber os motivos. Foi lindo, com os nervos à flor da pele e uma cólica desgraçada. Tive mil idéias e muita preguiça para escrever todas elas (além, é claro, da cólica...) Talvez fossem idéias tolas, mas eram todas verdadeiras. Verdades resultantes de disfunções hormonais típicas, o que pode resultar em grandes obras (quase) primas ou em desastres verborrágicos. (Provavelmente a segunda opção).
Mas hoje eu acordei sem traumas, confusões mentais ou crises de identidade. Confesso que foi meio chato. O que é a vida sem um pouco de melodrama, afinal? Pois eu estava bem, estava ótima e já tinha esquecido todas as idéias “geniais” e “fantásticas” do dia anterior. (talvez eu tenha exagerado um pouco nos adjetivos, mas, afinal, o que é a vida sem um pouco de ficção?)
Me atendo ao velho ditado “Se Deus te dá um limão faça uma limonada” (prefiro uma caipirinha, mas não bebo antes do meio-dia.), resolvi seguir em frente. Fui em busca de alguns limões pelas ruas do Jardim Botânico. Sim, várias ruas, sem sorte ou idéias. Pelo visto não está na época de limões.
Foi quando tive que interromper minha deliciosa e pouco inspiradora caminhada para ir resolver umas coisas no teatro. Ah sim, esqueci de falar. Esse ano, muito preocupada em armazenar alguns cabelos brancos e muitos experiências, me aventurei no louco mundo da produção teatral. Divertido. Recomendo. Isso sim eu diria que é inspirador.
Pois eu não estava no ônibus quando um colombiano estranho puxou assunto comigo? Na minha opinião qualquer colombiano que puxa assunto com você no ônibus pode ser considerado estranho. Ainda mais quando ele pergunta onde você vai saltar, se mora em Copacabana. Respondo tímida e monossilabicamente que “não” e a pessoa pergunta se está me incomodando. Como eu tenho tendências a só dizer “não” em momentos inapropriados, fico com pena do maluco e digo que “Não, imagina.” E aí ele começa com um jeito discreto de maníaco psicopata a me perguntar coisas, até chegarmos finalmente ao assunto da peça que eu estou produzindo. (Todo marketing é necessário, mesmo feito mal e porcamente em portunhol) E aí eu digo que não temos patrocínio e ele me diz que vai para a Colômbia, mas deve voltar e quando voltar vai dar um jeito de arranjar patrocínio. Eu brinco ingenuamente que “adoraria”, penso em dar meus contatos a ele (nunca se sabe...), mas logo desisto, pensando que talvez ele seja um traficante suspeito, dono de uma enorme plantação de coca (Não sei da onde tirei isso, mas foi o que realmente pensei na hora). Foi quando ele soltou um “Por você eu patrocinaria qualquer coisa”. (Medo.) Finalmente, eu levanto e digo “Eu salto aqui”. O sujeito faz a última investida e me convida para tomar um refrigerante. Eu digo que não (dessa vez na hora certa) e saio andando.
Moral da história: Na falta de limões, a gente fica com os limóns mesmo...
7 comentários:
Adorei, mais uma vez, e concordo com todas as suas conclusões, virei fã...outro dia fui abordada por um grego que morava na colômbia, imagina o que nã pensei...hahaha, depois te conto...
Clarinha!!
Não tenho TPM, mas sofro dos mesmos males que vc, muito embora em minhas buscas não por limões, mas por outra coisa qualquer, nenhuma colombiana tivesse me abordado, que pena, do continete americano é o único país que não conheço, mas as misses são sempre muito bonitas.
Menina, vc escreve muito bem, estou gostando mesmo, estou virando freguês, mas não se preocupe que apesar de vc ser tudo o que o colombiano falou, eu não vou "patrocinar" suas obras, nem poderia, não consigo patrocinio para as minhas.
Olha, estou gostando tanto e está sendo uma surpresa tão agradável ler o que escreve que eu quero te convidar (ôpa, acende a luz amarela) para escrever no meu Blog também. Eu estou escrevendo praticamente todos os dias, mas agora dei para a Daisy, lá da sala o domingo, que é o dia do pensamento libertário, não abro mão nem das segundas (engajamento pessoal), nem das quintas (responsabilidades paternas), nem das sextas (engajamento religioso)e nem dos sábados, pelo menos por enquanto (zoando professores e mais tarde alguns colegas de turma), mas sobrou a terça e a quarta, que hj são preenchidos com textos reflexivos e de piadas, se vc ficar com qualquer um desses dois dias podemos mudar para vc ficar a vontade para escrever sobre o que quiser, eu só queria que se vc aceitasse, não deixasse de escrever nenhum dia que escolhesse ok?
De qualquer maneira, aceitando ou não, virei seu fã e virei sempre aqui comentar seus textos.
Bj.
Kito.
Clara!!! Muito bom!!!
Ótimo timing... é assim mesmo!
Tu escreve bem pra XUXU!!!!! Repito: Muito bom!
beijo,
Mari Barcellos
Clara, adorei o texto. Fiquei pensando na história dos limões, dos limóns, e lembrei de Lima. Que na verdade é capital do Peru. Que na verdade não fica na Colômbia. Que na verdade não tem nada a ver com essa história. Bom... esquece.
Leandro Soares
eu quando to inspirado tb choro...
Caraca, adorei!!!! Todo mundo é assim.Tem idéias e fica com preguiça, tem disposição e as idéias somem...hahahaha...amei!beijos
Pronto cheguei no seu espaço, no meio das suas viagens... pelo Rio, pelo teatro, pela literatura, pelo humor, isso sim é inspirador. Muitos blogs pra vc, vc e nós merecemos! Sua chiquitita fôfa!
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