O amor dinamita a ponte

e manda o amante passar, entregue.
Sabidamente, cego, surdo, mudo,
Sem qualquer rédea, sem medo do escuro,
Estranhando toda ausência breve.

O ser amado é um complemento, que
De tão azeitado na convivência,
Faz jus a condição de um suplemento,
Premiando assim a mera existência.

Por amor também ferimos o outro
E antecipamos a nossa ferida.
As cinzas da dinamite um estofo.

O amor nos serve mas sem a intenção
De nos obedecer. Resta a nós a
Pretensão de controlar o coração.

3 comentários:

cris braga disse...

...essa pretensão de querer controlar o coração... até parece... adorei!

Cris disse...

é...me inspirou também amiga, muito bonito!

Andrè Dale disse...

muito bom!