
O amor dinamita a ponte
e manda o amante passar, entregue.
Sabidamente, cego, surdo, mudo,
Sem qualquer rédea, sem medo do escuro,
Estranhando toda ausência breve.
O ser amado é um complemento, que
De tão azeitado na convivência,
Faz jus a condição de um suplemento,
Premiando assim a mera existência.
Por amor também ferimos o outro
E antecipamos a nossa ferida.
As cinzas da dinamite um estofo.
O amor nos serve mas sem a intenção
De nos obedecer. Resta a nós a
Pretensão de controlar o coração.
3 comentários:
...essa pretensão de querer controlar o coração... até parece... adorei!
é...me inspirou também amiga, muito bonito!
muito bom!
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