Historinha em Aula – (FUECT – Fundamentos da Expressão e Comunicação Teatral)

Sofia. Ela vai escrever uma peça. Vai escrever mesmo. Talvez se fosse para casa deitasse um pouco, as palavras surgiriam com mais facilidade, mas como ela é teimosa até com ela mesma – resistiu. Sentou-se na cadeira e ficou olhando para o caderno. Olhou, olhou, dormiu. Dormiu sentada! Acordou no dia seguinte torta, dolorida, toda errada – e nada. Nenhuma palavra, na verdade pior do que nenhuma palavra é nenhuma idéia. Uma ausência, um vazio. Deu uma alongada, estalou a coluna e sentou-se novamente. Sentada - permaneceu, enquanto o tempo passava, passava, passava..., mas o vazio não, esse não dava trégua. Sofia já estava quase adormecendo pela segunda vez, sentia a derrota se aproximando, se imaginava deitando em sua cama macia, quentinha, o desejo de se inspirar e escrever se diluía com o sono e cansaço. Antes de sua última piscada, percebeu que as páginas começavam a virar sozinhas, uma após a outra. Uma loucura! O caderno e suas páginas estavam revoltados. Queriam palavras, queriam tintas, queriam rasuras e idéias. Sofia acordou naquele instante, ficou apavorada, a cobrança agora era muito maior. Ela resistira a tudo, mas não ao caderno. A caneta saltou da mesa para sua mão, Sofia a agarrou e começou a escrever. Escreveu muito, sem parar, sem pensar. Era uma inspiração legítima!!! As páginas, agora felizes, realizadas, viravam com satisfação. As palavras, porém, estavam confusas. Seus sentidos estavam trocados. Sofia tinha criado novos significados – verbos viraram adjetivos, substantivos viraram verbos – uma desordem absoluta. Os novos sentidos eram incríveis. Sofia se encontrava tão realizada e satisfeita, quanto ao caderno e suas páginas. A menina tinha criado um laço, um pacto com o caderno, as paginas e o lápis. E assim, Sofia e suas palavras dialogaram, conversaram, se desentenderam e se apaixonaram.

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A relação simplesmente desapareceu com a distância, o tempo, e a ausência de um retorno.

12 comentários:

Cris disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cris disse...

Diana,

Essa angustia é pior que qualquer ausência, muito bem lembrado...

Mariana Barcellos disse...

E dá pra ler o que Sofia escreveu? Deu vontade...
beijos

Mariana Barcellos disse...

E dá pra ler o que Sofia escreveu? Deu vontade...
beijos

cris braga disse...

Nossa Diana, adoro seus textos...muito lindo esse!bjs

Clara disse...

Dá mesmo vontade de ler o que a Sofia escreveu...

Anônimo disse...

Diana, a forma da sua narrativa, tem gosto, som ,enfim , me traz tantas nuances que me fez ver Sofia escrevendo ! Lindo!

Anônimo disse...

"Tem mais presença em mim o que me falta..." -Manoel de Barros-

Anônimo disse...

Nori de manga... bjs

diana herzog disse...

ai ai...

Anônimo disse...

Quer fazer o favor de sair da minha cabeça?!

diana herzog disse...

e a minha cabeça?! rsrsrsrs