
Revolução.
Qual o tempo dela existir? Sempre. Hoje. Agora.
Não penso mais na revolução que me remete às questões grandiosas, aos heróis da massa ou às mudanças que viriam com os martires.
Na verdade nunca acreditei muito nisso, mas com a timidez a tiracolo, me calava, por medo de ser açoitada nas rodas pensantes.
Como quase aconteceu quando a menina me falava de comunismo, Cuba, ditadura, Fidel, democracia. Me senti cansada, meio antiga, ou ela jovem demais, nem sei.
Tentei falar, juro, tentei. Não consegui.
A revolução que hoje acredito, e acho possível, é a do indivíduo, revolução invisível. Diariamente.
Ser mais generoso.
Dizer não para a velha história da farinha pouca meu pirão primeiro.
Não compactuar com as atitudes que fazem a rotina mais triste, mais medíocre.
Dizer sim para a gentileza.
Ensinar e ouvir, ouvir muito.
Todo dia eu luto para conseguir ser mais acolhedora, menos julgadora, comigo e com os outros.
Todos os dias ser livre. Porque é nesta liberdade onde vou descansar. Preciso criá-la nas mínimas coisas. E não é fácil.
Todos os dias a revolução acontece porque existe um tirano dentro de mim, um tirano muito charmoso, que quer se perpetuar e eu não deixo.
Todos os dias penso que o meu pequeno feudo necessita de novos ares e direções. Mudanças.
Todos os dias a revolução.
Acredito na mudança estética, na mudança ética.
Acredito no indivíduo artístico, no homem lúdico.
É preciso persistência para se quebrar regras, comportamentos que se repetem há séculos.
Ser mais compassivo e menos carnívoro, não apenas na comida.
Na vida. No sexo. Nas relações amorosas, que têm de tudo, mas pouco do amor.
E todos os dias a revolução deste amor que nada tem dos românticos. É maior.
Feito do desapego, feito de uma alegria que só pode existir quando respira, só existe se for livre e nova.
Eu quero menos ego e mais prazer. Sempre. Não só no corpo. Todo dia.
Todos os dias a árdua tarefa de se reinventar. Na prática.
Cavar, alimentar o prazer em si mesmo, e construir um desejo criativo sem amarras.
Todos os dias a revolução. Em mim. Nos outros.
4 comentários:
Clarinha querida: Li seu texto sobre a revolução que cada um de nós tem de fazer dia-a-dia, pois é preciso primeiro reformar a si mesmo.Estou ingressando (?) no Budismo e suas palavras parecem saídas de um pensamento escrito segundo as máximas budistas. A paz entre as pessoas começa a ser criada a partir de nossa reflexão interior. Um grande beijo, seu texto é um sopro generoso e sábio.
PAULO CESAR DE OLIVEIRA
Próximo passo: Presidência do Brasil.
Brilhante!!
Viva Cris Chevriet, viva!!!bjs+bjs
Lindo ! Texto claro, simples e profundo! Ah! Eu também quero uma Casa no Campo !!! Bjão!
Postar um comentário