
"Vagabundagens por Mundos Inteligíveis" - "O Gingado e a Libido de Pensar com os Ouvidos"
Coincidentemente (ahahaha), no sábado passado , em minhas andanças costumeiras pela madrugada, passeando pelas avenidas da internet, conheci o Adorno . Homem sensível, amante da boa música, filósofo, musicólogo, compositor, sociólogo, crítico musical, enfim ... apaixonei-me perdidamente! Baita coincidência (ahaha), cruzar com aquele homem às tres da manhã de um sábado! E mais ele falava, mais intensa e descaradamente... ia me apaixonando.
"A arte necessita da filosofia, que a interpreta, para dizer o que ela não consegue dizer, conquanto só através da arte pode ser dito ao não ser dito"
"Considerar a filosofia com os olhos do artista e a arte, sobretudo a música, com os olhos do filósofo"
Acreditem se quiserem! Estávamos lá, neste encontro casual (?), eu e Theodor Ludwig Wiesengrund Adorno, à sós, ambos concordando ser a música um reflexo medidor do mundo real.
É! Isso mesmo! Quando faço música, sinto essa proximidade tênue - pensava eu enquanto admirava Adorno me explicar sobre como se dava essa relação tão próxima entre música e filosofia na sua vida!
Se realiza assim Vytória - dizia ele já íntimo, colocando sua mão sobre meu ombro. De um lado, o toque artístico dado pela música não invade o pensamento como algo alienígena; antes imprime ressonância à sua própria vivacidade. Possibilitar, por intermédio das notas, espaço às associações e aos saltos de um pensamento concreto é mantê-lo vivo, em conexão direta com o objeto, sempre aspirando a mais. São as coisas que, inquietas por suas necessidades íntimas, estimulam o gingado e a libido do pensar. E não o objeto submisso que se encaixa, ordenadamente, em gavetas conceituais bem elaboradas. De outro lado, são proibidas as "pseudomorfoses" (transformação da composição química do mineral sem alteração da forma cristalina primitiva), sob pena de destruição recíproca! A filosofia tem que continuar filosofia Vytória, mesmo sendo partilhada pela música; e a música continuar música, mesmo tendo suas notas penetradas por áridos conceitos. Não há uma relação de dependência entre elas,e sim de aperfeiçoamento, exposição e densidade.
Céus! Música e filosofia se amando e respeitando, ambas, a sua individualidade. Adorno me fez perceber claramente como se dá o ato de criar música e o valor da criação propriamente dita,"na experiência concreta do 'conhecimento histórico' que as obras musicais expõem àqueles que aprendem a 'pensar com os ouvidos” (Almeida, 2000, p. 190-203). E Salve os amantes da boa música! Salve Cazuza, Raul Seixas, Luiz Tatit, João Bosco, Aldir Blanc, Gilberto Gil e muitos outros compositores revolucionários da nossa MPB com suas influências fortes, tendências reflexivas gerais e filosóficas que falam em suas canções, das condições absurdas do homem, do ressentimento, do incognoscível, do relativo. Fiquei a ver imagens, imaginando a beleza do instante da criação! A filosofia sendo conduzida tensamente pelos próprios impulsos do pensamento em sua sedução incontrolável de possuir o objeto. E os pensamentos criando sua própria dinâmica, seu ambiente, que estimulam curiosidades, associações, "vagabundagens por mundos inteligíveis", no duro esforço por expressar aquilo que ainda não se fez luz mas que se fará ao se unirem às notas musicais que ao se tocarem, se amarão num desejo intenso de procriar melodias, vestindo as palavras de sons e de harmonia .
E o público gozando e gozando e gozando e pedindo bis!!! Ahhhhhhhh!
E o público gozando e gozando e gozando e pedindo bis!!! Ahhhhhhhh!
_Puxa Adorno, eu quero ser uma “vagaba” quando fizer minha próxima canção!
Vytória ! - me garantiu Adorno. Quem quiser (...) a verdade da vida (...) tem que investigar sua configuração alienada. Por isso, Abre-te, Sésamo, quero sair!
Foi assim que, às cinco da manhã , nos despedimos. Eu estava exausta e feliz!
Passei o domingo inteiro pensando em Adorno, claro!
Na segunda-feira pela manha, também coincidentemente (mais risos), recebi de uma amiga o seguinte e-mail .
Título : "Os amantes da música vão adorar"
Somente
para
os amantes
da
Boa
música...
Anexado ao corpo do e-mail , ilustrando-o , esta gif .
Pode clicar, sem medo de ser feliz!
P.S - Mas é óbvio que nada acontece por acaso!
Aliás, diga-se de passagem, grande filosofia essa!
2 comentários:
Muito bom, esse teu encontro com Adorno, na madrugada,deu certo,assim como a mistura da musica com a filosofia...que venham outros. Ora, vagabundagens por mundos intelig�veis? Quem n�o quer, eu quero!!! Adorei!
Caraca, sensacional! Muito bom tudo:texto, encontro inesperado, filosofia e música.Também quero!bjs
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