Uma Parte da História

Gostaria de escrever nesta quinta-feira que já chegou e nem percebi, uma farsa, uma história bang-bang, uma metáfora cheia de onomatopéias com pinceladas de faroeste. É o que me vem à cabeça quando penso nesta palavra pouco usual. Um cowboy rebelde porém charmoso, o dia empoeirado, as pessoas com as janelas entreabertas e o silêncio do dia quente. A imagem é lenta, ouve-se o ranger da porta do bar, e não vou dizer saloon porque já me americanizei demais por hoje.

Nesta paisagem o tempo tem um ritmo seco de sons escaldantes e solitários. A solidão não tem pressa ela se faz sentir no balanço, no vai e vem da porta do bar de onde saem dois homens. Eles sabem andar daquele jeito masculino de ser, cheio de couro e brim displicentes.

Imagino o mocinho assim: a barba cerrada,o rosto marcado, traga o cigarro e ajeita de leve o chapéu suado, de modo muito particular nos faz perceber que o gesto simples é seu, só seu, porque está pensativo, como a refletir o momento.

Isto posto devo dizer que o vilão é mais adequado, arrumadinho e empertigado, o que já o transforma em alguém duvidoso. Ele certamente terá seus fãs, o que causará uma deliciosa controvérsia, fermento de toda boa história.

Muito embora, o que chamei de vilão não tenha um caráter de todo maligno, se mostrou bastante interessado em brigar com aquele que um dia fora o mais sincero dos seus amigos. Diga-se de passagem que no meio da guerra sempre existe uma mulher, que nem é tão bonita - não é a mais bonita do lugarejo - mas tem olhos fascinantes, pois mais belo do que os céus, é o modo dela olhar. Voltando ao nosso amigo, da barba muito bem feita, devo confirmar que não é de todo mau, mas esta vaidade latente lhe confere ares antipáticos, diria que se trata apenas de um equivocado. Ele não sabe ao certo, mas desconfio que deseja - além da mulher dos olhos de feitiço, aquele olhar profundo - o charme avassalador do seu oponente.

Por outro lado, o adversário - mocinho anti-herói - com jeito sofrido, calado, calças surradas e aventureiras, não sabe direito onde anda o seu desejo, guardou-o na fivela de prata e saiu pelo mundo a procurá-lo.
Duelam por ela e por eles. O amor do avesso.

Caminham tensos. Estão posicionados e se encaram ao longe.

E eu, na verdade, comecei o texto pensando em chegar a este momento, no definitivo segundo da falta de ar e mãos no coldre. Quando as mãos próximas ao coldre ganham vida própria, respiram.

Queria falar apenas do tempo, deste tempo que é inexistente. O segundo.

Façam o final da história.

4 comentários:

cris braga disse...

Adorei a descrição do mocinho...adorei o texto...bjo

cris braga disse...

Adorei a descrição do mocinho...adorei o texto...bjo

Anônimo disse...

entendi que muitas vezes não duelamos pelo objeto do desejo, no caso , a bela mulher,mas duelamos pelo desejo de ser o que o outro é,
ou o que não somos e gostaríamos de
ser, duelamos com o outro,pq na verdade duelamos com nós mesmos.vana

Cris Chevriet disse...

é Vaninha economizou a terapia...rsss, nada como uma boa mesa de bar!!!Salve!!!