PARAÍSO

No meu jardim tem uma história
Uma alameda, uma rua de pedra
Uma casa branca com janelas
Uma ponte de madeira costurada com cordas
Onde a gente senta a balançar as pernas
Depois de ter feito um caminho na estrada de terra
Por onde se andou a esquecer das horas
Por onde se andou a vaguear no tempo, sem ao menos ter um pensamento
Apenas a observar a poeira que se levantava
Na simplicidade dos acontecimentos vivendo por dentro deles
A sentir com a consciência, sem lembrar das horas, sem lembrar dos fatos
Porque isso não tem a menor importância para se existir

Ando por esta estrada
Eu tenho uma história
Retorno sem desenhar o caminho da volta (pois ele já existe se eu seguir em frente)
E me deparo com um portão
Madeira, corrente e cadeado bem velhos
Porque, apesar de tudo, as belas histórias precisam de um passado

Além do portão encontro árvores grandes e flores abertas
Que ao olhar minha mente se altera
Envolta no perfume estranho de selva estou
No óleo vibrante das tintas a me confundir entre elas
Na clareira me deito, lá onde as cores têm cheiro
E tudo tem um sentido próprio de estar
Sob o calor e a vibração leve da terra
Medito sobre elas, as flores, aveludadas e abertas
E o sol a me deixar tão cega
Estou cheia de cores, aveludada e aberta
Como certas mulheres muito lindas
Para quem o esforço maior é o de se manter imóvel

4 comentários:

nagual1985 disse...

so li a ultima linha pq o resto eh muito enrolado.

abraco,

gabriel

Carol Aquini disse...

Gostei muito!!! Minha ídala!!! aauhauahauhauahuaha... Ahhhh esse fim de semana não iremos nos esbarrar... Triste!!!

cris braga disse...

Lindo!bjo

Anônimo disse...

Excelente. Es mestra na arte de descrever sensações vagas e vontades infimas do coração. Bravo.