Um final feliz ... para o conto da Cris

Seus olhos se encontram. A hostilidade imediata dá lugar, inesperadamente, a uma curiosidade genuína. Curiosidade advinda de um reconhecimento simultâneo. Da identificação recíproca de um comportamento aprendido, herdado, cobrado e, extremamente, desgastante de ser macho naquele ambiente, naquele tempo.
A tal mulher, pomo da discórdia, sai da mercearia naquele momento. Lê imediatamente a cena. Os dois homens, depois de a perscrutarem por alguns instantes, se entreolham mais uma vez. Estão, principalmente,cansados; estão fartos de performarem seus papéis, impostos, inclementes.
A mulher então, não tão bonita fisicamente, mas intuitiva e resoluta, tem uma idéia inusitada. Hesita, mas dá total crédito e vazão à sua intuição, convidando ambos a irem à sua casa... tinha uma cerca que teimava em cair e algumas tábuas soltas no chão da varanda... E acabara de comprar umas maçãs que prometiam se transformar em uma deliciosa sobremesa. Os homens, surpresos, olhavam para ela e se entreolhavam e de novo para ela... Foi o mocinho barbado quem se pronunciou primeiro; surpreendendo o seu pretenso adversário: "Eu na verdade, gostaria muito. De lhe ser útil, conversar e, finalmente, provar da torta de maçã". Ao que o "vilão" respondeu de chofre, com uma satisfação insuspeita para ele próprio: "Por que, não?"
E os três, animados pela promessa de uma perspectiva sem par em suas vidas, caminharam lado a lado. Se olhando, vez ou outra, de rabo de olho. Mas muito entusiasmados. E cada vez mais leves...

Um comentário:

Cris Chevriet disse...

Foi maravilhoso me deparar com a continuação da história, na verdade foi uma grande sacada sua que fez toda diferença esta semana quando o blog está meio lento, a ideia da continuação é sensacional...mas vamos pensar sobre isto pois, na verdade, o seu dia é quarta, mas acho que estarás perdoada na mesma proporção da sua ousadia criativa...beijos e evoé momo!!!!