O casamento


Maria nunca gostou da idéia de casar na igreja, mas pela insistência de Augusto
acabou cedendo. A data já estava marcada, os convites distribuídos, e alguns presentes já haviam chegado em sua casa. Mas Maria não esboçava um sorriso. Augusto dizia que era nervosismo, sua mãe temia que estivesse grávida, já sua tia pensava num possível amante. Mas Maria desmentia todas as hipóteses.
Isabel, prima de Maria, e uma das madrinhas havia falecido recentemente. Augusto quis substituí-la, mas Maria achou um absurdo e se trancou em seu quarto. O noivo já não agüentava mais todos os caprichos de sua noiva. Tudo para ela era mais complicado. Resolveu que iria desmarcar o casório. Convencido pela sogra de que ela conversaria com a filha ele desistiu da idéia.
Maria parecia doente, nem parecia noiva. Cogitou em casar de preto se não a deixassem em paz. Ela queria mesmo era estar de luto. Sua mãe foi dura no sermão e na mesma noite, Maria se apresentou na sala de jantar, pediu desculpa a todos e confirmou a bendita data.
O grande dia chegou! A igreja estava linda, toda enfeitada com copos de leite. Augusto estava inquieto, temia que a noiva mudasse de idéia. Maria chegou. Linda! Ninguém nunca havia visto noiva tão bonita, fora à expressão de Maria o resto estava todo lindo.
A cerimônia corria bem até Maria começar a chorar. Augusto dizia ao padre que a futura esposa era muito emotiva, mas aquele chororo já passava dos limites, ou ela parava ou a cerimônia teria que ser cancelada. Augusto impaciente mandou a noiva parar, e ela num impulso deu um grito, dizendo que a prima não queria que ela se casasse. A mãe desmaiou de desgosto, a tia achou que era um típico caso de loucura. Augusto imaginou que fosse uma tentativa para não se casar. Pegou a mulher em seus braços e disse “Você vai casar comigo agora”. Maria se soltou e correu até o meio da igreja, dizendo que não iria se cassar. Olhava para frente e chorava, tentava abraçar algo, mas só havia vento, então ela caiu. Maria chamava por Isabel. Augusto foi embora. Maria ficou caída no chão da igreja trocando juras de amor com sua prima, morta.

2 comentários:

Cris Chevriet disse...

Ei, Carol, mil vivas de te ler sempre, muito bom, adoro como sempre, este está meio Nelson Rodrigues, hehehe, maravilha!!!Beijos

Clara disse...

Hahaha... engraçado, logo que vc falou de Isabel, achei que era isso.. Bom, que ótimo que vc honrou nosso posto das segundas, pq ando meio relapsa! (bastante, aliás) Mas semana que vem volto a ativa... rsrs

Gostei do texto! beijos